Trauteava a letra vezes sem conta e pensava na minha história contigo. Até que um dia, de regresso a casa ao volante do meu carro pela estrada Marginal, a apanhei por acaso na rádio e nem sequer me lembrei de nós. Talvez tenha sido esse o dia em que te esqueci.”
“O dia em que te esqueci.” – Margarida Rebelo Pinto.
Não foi há muitos anos, e muito menos ao volante do meu carro pela Marginal (até porque nem tenho carta), mas foi desaparecendo com o tempo, tal como ali.
A música que dizias ser nossa enchia-me de recordações e sempre que a ouvia lembrava-me de cada pormenor.
Já passou muito tempo, tempo demais, tempo perdido em lembranças que teimavam em aparecer.
Quando ouço a nossa musica, o que mexia comigo, o que me provocava um turbilhão de emoções, desapareceu. É uma simples melodia, com uma letra bonita, nada mais.
Demorou, muito até. Mas o que importa agora é que já está tudo guardadinho num espaço só teu, mas que vai estar bem fechado.
Guardei todas as recordações de ti nesse lugar, tudo o que me fazia lembrar NÓS.
Talvez por não me ter libertado desse sentimento mais cedo, ou ter estado constantemente a lembrar-me de ti, é que eu pensava que iria ser impossível de esquecer. Finalmente percebi que tudo não passava de uma lembrança constante e de um “bater na mesma tecla”.
Nestes últimos tempos eu sei que existiu “o dia em que te esqueci!”